Quanto cobrar por sessão de terapia: como calcular o preço mínimo

Passo a passo para psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais calcularem o preço da sessão a partir de custos, impostos, taxas e margem, com exemplo.

Cálculo do preço da sessão: custos, remuneração, impostos, taxas e margem resultando em R$ 212,50

O preço da sessão não deveria sair da tabela do colega nem do “quanto o paciente aceita pagar”. Ele sai de uma conta simples: tudo o que cada sessão precisa cobrir, dividido pelo que sobra depois de impostos, taxas e margem. Neste guia você monta essa conta do zero, com um exemplo numérico, e entende por que dois profissionais que cobram o mesmo valor podem estar em situações completamente diferentes.

O que o preço da sessão precisa pagar

Antes de qualquer fórmula, liste o que sai do seu bolso. Separe em quatro grupos:

  • Custos fixos do mês: aluguel ou sublocação de sala, condomínio, internet, sistema de gestão, contador, conselho profissional (anuidade dividida por 12), marketing, supervisão e formação continuada. Eles existem mesmo que você atenda pouco.
  • Custos variáveis por sessão: material de consumo, testes e protocolos, café e água, deslocamento em atendimentos domiciliares.
  • Impostos: dependem de você atender como pessoa física ou como empresa (mais sobre isso abaixo).
  • Taxas de recebimento: maquininha, link de pagamento, boleto. Mesmo o Pix pode ter custo, dependendo do banco ou da plataforma de cobrança.

E um quinto item que muita gente esquece: a sua remuneração. O que sobra depois dos custos não é lucro se ainda precisa pagar o seu salário.

Quantas sessões você realmente faz por mês

O custo fixo é dividido pelo número de sessões. Por isso, o número que entra na conta é o de sessões efetivamente realizadas e pagas, não o de horários disponíveis na agenda.

Desconte feriados, férias, cancelamentos e faltas. Quem tem 25 horários por semana raramente fatura 100 sessões no mês. Se a sua taxa de faltas é alta, ela entra direto no preço: menos sessões pagas significa mais custo fixo por sessão. Vale a pena ler também como reduzir faltas na clínica.

A fórmula do preço

Com os números em mãos, a conta é esta:

Preço = (custo fixo por sessão + custo variável + sua remuneração por sessão) ÷ (1 − impostos − taxas − margem)

Os percentuais de impostos, taxas e margem ficam no denominador porque incidem sobre o preço final, não sobre o custo. Somar 6% em cima do custo dá um valor menor do que o necessário, e a diferença sai do seu bolso.

  • Com margem zero, o resultado é o preço mínimo: abaixo dele, você paga para trabalhar.
  • Com a margem desejada, o resultado é o preço que também forma reserva para crescer, investir e atravessar meses fracos.

Exemplo completo

Imagine uma fonoaudióloga com consultório próprio, atendendo como empresa no Simples Nacional:

Item Valor
Custos fixos do mês R$ 4.000
Sessões realizadas por mês 80
Custo fixo por sessão R$ 50
Custo variável por sessão R$ 3
Remuneração desejada R$ 8.000/mês, ou R$ 100 por sessão
Impostos 6%
Taxa média de recebimento 2%
Margem desejada 20%

O que cada sessão precisa cobrir: 50 + 3 + 100 = R$ 153.

  • Preço mínimo (sem margem): 153 ÷ (1 − 0,06 − 0,02) = 153 ÷ 0,92 = R$ 166,30
  • Preço com 20% de margem: 153 ÷ (1 − 0,06 − 0,02 − 0,20) = 153 ÷ 0,72 = R$ 212,50

Se essa profissional cobra R$ 150, ela não está “ganhando pouco”: está tirando dinheiro da própria remuneração em cada atendimento. Se cobra R$ 180, cobre tudo, mas fica sem reserva.

Os números são ilustrativos. Faça a conta com os seus, ou use a calculadora de precificação da Terapee, que é grátis e faz essa conta (e o ponto de equilíbrio) para você.

Imposto: pessoa física ou empresa muda a conta

O percentual de imposto é o item que mais varia entre profissionais, e por isso vale conversar com um contador antes de fixar o preço. Em linhas gerais:

  • Pessoa física (autônomo): a renda entra no Carnê-Leão, com a tabela progressiva do Imposto de Renda, e há contribuição ao INSS. Para quem fatura mais, a carga costuma ficar alta.
  • Empresa no Simples Nacional: atividades como psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional ficam sujeitas ao chamado Fator R. Quando a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) chega a 28% do faturamento, a empresa é tributada pelo Anexo III, cuja alíquota inicial é de 6%. Abaixo disso, vai para o Anexo V, que começa em 15,5%.

Veja o efeito no exemplo acima: com 15,5% de imposto em vez de 6%, o preço mínimo passa de R$ 166,30 para R$ 185,45 (153 ÷ 0,825). A mesma sessão, o mesmo trabalho, quase R$ 20 de diferença só pelo enquadramento.

Profissões regulamentadas de nível superior, como a psicologia, não podem ser MEI. Se você pensa em abrir CNPJ, o caminho costuma ser uma microempresa no Simples Nacional.

E a tabela do conselho?

O Conselho Federal de Psicologia e a Fenapsi publicam uma tabela de referência de honorários, corrigida pela inflação (INPC). Outros conselhos e sindicatos têm referências parecidas. Elas ajudam a entender a faixa de mercado e a justificar reajustes, mas não substituem a sua conta: a tabela não sabe quanto custa o seu aluguel nem quantas sessões você consegue fazer por mês.

Use a tabela como teto ou piso de comparação, e a sua planilha de custos como base.

Clínica com equipe: inclua o repasse

Em clínicas com vários profissionais, a “remuneração por sessão” vira o repasse ao terapeuta. A lógica é a mesma, mas há um detalhe: se a clínica recebe o valor cheio e emite a nota, o imposto incide sobre a sessão inteira, não só sobre a parte que fica com a clínica. Explicamos os modelos e as contas no guia sobre como fazer o repasse dos profissionais.

Reajuste: combine antes e faça todo ano

Custos sobem todo ano. Se o preço fica parado, a sua margem encolhe sem você perceber. Algumas práticas ajudam:

  • Reveja o preço uma vez por ano, sempre no mesmo mês, com base na inflação e nos seus custos reais.
  • Avise com antecedência, por escrito, e deixe isso previsto no contrato desde a primeira sessão.
  • Diferencie pacotes e sessões avulsas: pacotes com valor fechado dão previsibilidade para você e para o paciente.

Resumo

  1. Liste custos fixos, variáveis, impostos, taxas e a sua remuneração.
  2. Use o número de sessões realmente realizadas, não o de horários livres.
  3. Aplique a fórmula com impostos, taxas e margem no denominador.
  4. Confira o enquadramento tributário com o contador, porque ele pode mudar o preço mínimo em dezenas de reais.
  5. Reajuste todo ano.

Com o preço definido, o próximo passo é não deixar dinheiro escapar: a cobrança automática e os pacotes de sessões da Terapee ajudam a receber em dia e acompanhar o saldo de cada paciente.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador.

Sobre a Terapee

A Terapee é um sistema de gestão feito para clínicas de terapia no Brasil: psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, ABA e clínicas multidisciplinares. Reúne agenda, prontuário eletrônico, lembretes automáticos no WhatsApp, cobrança recorrente, telemedicina e emissão de NFS-e em um só lugar, direto no navegador e no celular.

Atendemos desde quem trabalha sozinho até clínicas com equipes grandes. Neste blog, publicamos conteúdo prático sobre gestão, finanças, agenda, prontuário e atendimento online para quem vive a rotina de uma clínica.