Quanto cobrar por sessão de terapia: como calcular o preço mínimo
Passo a passo para psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais calcularem o preço da sessão a partir de custos, impostos, taxas e margem, com exemplo.

O preço da sessão não deveria sair da tabela do colega nem do “quanto o paciente aceita pagar”. Ele sai de uma conta simples: tudo o que cada sessão precisa cobrir, dividido pelo que sobra depois de impostos, taxas e margem. Neste guia você monta essa conta do zero, com um exemplo numérico, e entende por que dois profissionais que cobram o mesmo valor podem estar em situações completamente diferentes.
O que o preço da sessão precisa pagar
Antes de qualquer fórmula, liste o que sai do seu bolso. Separe em quatro grupos:
- Custos fixos do mês: aluguel ou sublocação de sala, condomínio, internet, sistema de gestão, contador, conselho profissional (anuidade dividida por 12), marketing, supervisão e formação continuada. Eles existem mesmo que você atenda pouco.
- Custos variáveis por sessão: material de consumo, testes e protocolos, café e água, deslocamento em atendimentos domiciliares.
- Impostos: dependem de você atender como pessoa física ou como empresa (mais sobre isso abaixo).
- Taxas de recebimento: maquininha, link de pagamento, boleto. Mesmo o Pix pode ter custo, dependendo do banco ou da plataforma de cobrança.
E um quinto item que muita gente esquece: a sua remuneração. O que sobra depois dos custos não é lucro se ainda precisa pagar o seu salário.
Quantas sessões você realmente faz por mês
O custo fixo é dividido pelo número de sessões. Por isso, o número que entra na conta é o de sessões efetivamente realizadas e pagas, não o de horários disponíveis na agenda.
Desconte feriados, férias, cancelamentos e faltas. Quem tem 25 horários por semana raramente fatura 100 sessões no mês. Se a sua taxa de faltas é alta, ela entra direto no preço: menos sessões pagas significa mais custo fixo por sessão. Vale a pena ler também como reduzir faltas na clínica.
A fórmula do preço
Com os números em mãos, a conta é esta:
Preço = (custo fixo por sessão + custo variável + sua remuneração por sessão) ÷ (1 − impostos − taxas − margem)
Os percentuais de impostos, taxas e margem ficam no denominador porque incidem sobre o preço final, não sobre o custo. Somar 6% em cima do custo dá um valor menor do que o necessário, e a diferença sai do seu bolso.
- Com margem zero, o resultado é o preço mínimo: abaixo dele, você paga para trabalhar.
- Com a margem desejada, o resultado é o preço que também forma reserva para crescer, investir e atravessar meses fracos.
Exemplo completo
Imagine uma fonoaudióloga com consultório próprio, atendendo como empresa no Simples Nacional:
| Item | Valor |
|---|---|
| Custos fixos do mês | R$ 4.000 |
| Sessões realizadas por mês | 80 |
| Custo fixo por sessão | R$ 50 |
| Custo variável por sessão | R$ 3 |
| Remuneração desejada | R$ 8.000/mês, ou R$ 100 por sessão |
| Impostos | 6% |
| Taxa média de recebimento | 2% |
| Margem desejada | 20% |
O que cada sessão precisa cobrir: 50 + 3 + 100 = R$ 153.
- Preço mínimo (sem margem): 153 ÷ (1 − 0,06 − 0,02) = 153 ÷ 0,92 = R$ 166,30
- Preço com 20% de margem: 153 ÷ (1 − 0,06 − 0,02 − 0,20) = 153 ÷ 0,72 = R$ 212,50
Se essa profissional cobra R$ 150, ela não está “ganhando pouco”: está tirando dinheiro da própria remuneração em cada atendimento. Se cobra R$ 180, cobre tudo, mas fica sem reserva.
Os números são ilustrativos. Faça a conta com os seus, ou use a calculadora de precificação da Terapee, que é grátis e faz essa conta (e o ponto de equilíbrio) para você.
Imposto: pessoa física ou empresa muda a conta
O percentual de imposto é o item que mais varia entre profissionais, e por isso vale conversar com um contador antes de fixar o preço. Em linhas gerais:
- Pessoa física (autônomo): a renda entra no Carnê-Leão, com a tabela progressiva do Imposto de Renda, e há contribuição ao INSS. Para quem fatura mais, a carga costuma ficar alta.
- Empresa no Simples Nacional: atividades como psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional ficam sujeitas ao chamado Fator R. Quando a folha de pagamento (incluindo o pró-labore) chega a 28% do faturamento, a empresa é tributada pelo Anexo III, cuja alíquota inicial é de 6%. Abaixo disso, vai para o Anexo V, que começa em 15,5%.
Veja o efeito no exemplo acima: com 15,5% de imposto em vez de 6%, o preço mínimo passa de R$ 166,30 para R$ 185,45 (153 ÷ 0,825). A mesma sessão, o mesmo trabalho, quase R$ 20 de diferença só pelo enquadramento.
Profissões regulamentadas de nível superior, como a psicologia, não podem ser MEI. Se você pensa em abrir CNPJ, o caminho costuma ser uma microempresa no Simples Nacional.
E a tabela do conselho?
O Conselho Federal de Psicologia e a Fenapsi publicam uma tabela de referência de honorários, corrigida pela inflação (INPC). Outros conselhos e sindicatos têm referências parecidas. Elas ajudam a entender a faixa de mercado e a justificar reajustes, mas não substituem a sua conta: a tabela não sabe quanto custa o seu aluguel nem quantas sessões você consegue fazer por mês.
Use a tabela como teto ou piso de comparação, e a sua planilha de custos como base.
Clínica com equipe: inclua o repasse
Em clínicas com vários profissionais, a “remuneração por sessão” vira o repasse ao terapeuta. A lógica é a mesma, mas há um detalhe: se a clínica recebe o valor cheio e emite a nota, o imposto incide sobre a sessão inteira, não só sobre a parte que fica com a clínica. Explicamos os modelos e as contas no guia sobre como fazer o repasse dos profissionais.
Reajuste: combine antes e faça todo ano
Custos sobem todo ano. Se o preço fica parado, a sua margem encolhe sem você perceber. Algumas práticas ajudam:
- Reveja o preço uma vez por ano, sempre no mesmo mês, com base na inflação e nos seus custos reais.
- Avise com antecedência, por escrito, e deixe isso previsto no contrato desde a primeira sessão.
- Diferencie pacotes e sessões avulsas: pacotes com valor fechado dão previsibilidade para você e para o paciente.
Resumo
- Liste custos fixos, variáveis, impostos, taxas e a sua remuneração.
- Use o número de sessões realmente realizadas, não o de horários livres.
- Aplique a fórmula com impostos, taxas e margem no denominador.
- Confira o enquadramento tributário com o contador, porque ele pode mudar o preço mínimo em dezenas de reais.
- Reajuste todo ano.
Com o preço definido, o próximo passo é não deixar dinheiro escapar: a cobrança automática e os pacotes de sessões da Terapee ajudam a receber em dia e acompanhar o saldo de cada paciente.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador.


