Prontuário psicológico: o que o CFP exige e por quanto tempo guardar
O que registrar, quem pode acessar, por quanto tempo guardar e como fica o prontuário em clínicas multiprofissionais, segundo a Resolução CFP nº 001/2009 e a LGPD.

Registrar o atendimento não é burocracia opcional: é um dever do psicólogo, regulado pela Resolução CFP nº 001/2009. E, desde a LGPD, o que fica no prontuário é tratado como dado pessoal sensível. Este guia resume o que a resolução pede, por quanto tempo guardar e o que muda quando a clínica atende com equipe multiprofissional.
Prontuário ou registro documental?
A resolução trata de duas formas de registrar os serviços psicológicos:
- Prontuário: o usuário, ou o seu representante legal, tem acesso integral às informações registradas.
- Registro documental: tem caráter sigiloso. É usado quando, por restrições ao compartilhamento de informações com o usuário, o serviço não pode ser mantido principalmente em prontuário.
As duas formas podem ser em papel ou informatizadas. O meio é escolha do profissional; o conteúdo e o sigilo, não.
O que o registro precisa conter
Pelo art. 2º da resolução, o registro deve trazer:
- Identificação do usuário ou da instituição atendida.
- Avaliação da demanda e definição dos objetivos do trabalho.
- Registro da evolução do trabalho, incluindo os procedimentos técnico-científicos adotados.
- Registro de encaminhamento ou encerramento.
- Resultados de instrumentos de avaliação psicológica, que devem ficar em pasta de acesso exclusivo do psicólogo.
- Cópias dos documentos produzidos para o usuário ou para a instituição (relatórios, declarações, laudos), com data de emissão, finalidade e destinatário.
A resolução também pede que o registro seja mantido atualizado e organizado pelo psicólogo que acompanha o caso. Evolução escrita de memória, semanas depois, não cumpre esse papel.
O que escrever na evolução
A resolução não define um modelo de texto, mas o bom senso clínico e o sigilo ajudam:
- Registre o necessário para o acompanhamento do caso: temas trabalhados, intervenções, respostas do paciente, combinados e próximos passos.
- Evite detalhes íntimos que não acrescentam à condução do tratamento, principalmente em prontuários que o paciente pode ler ou que são compartilhados com a equipe.
- Seja objetivo e datado. O registro é um documento, não um diário.
Por quanto tempo guardar
O prazo mínimo é de 5 anos. Pelo art. 4º da resolução, a guarda é de responsabilidade do psicólogo e/ou da instituição onde o atendimento aconteceu. O prazo pode ser maior quando exigido por lei, por determinação judicial ou em casos específicos que justifiquem.
Durante esse período, o registro precisa ficar em local que garanta sigilo e privacidade e estar disponível para a fiscalização dos Conselhos de Psicologia.
Depois do prazo, o CFP orienta que o material seja destruído de forma completa, de modo que não possa mais ser lido ou reconstituído. Papel vai para trituração; arquivo digital precisa ser apagado de verdade, inclusive dos backups.
Clínica multiprofissional: um prontuário só
Em serviços multiprofissionais, o art. 6º da resolução determina que o registro seja feito em prontuário único, compartilhado pela equipe. E traz uma regra importante: devem ser registradas apenas as informações necessárias ao cumprimento dos objetivos do trabalho.
Na prática, numa clínica com psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional:
- O psicólogo registra no prontuário comum o que a equipe precisa saber para conduzir o caso.
- O que é estritamente do processo psicoterápico e não interessa ao trabalho conjunto fica restrito.
- Os resultados de testes psicológicos continuam com acesso exclusivo do psicólogo.
Em atendimentos em grupo que não são eventuais, cada participante precisa ter a sua própria documentação.
Fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais seguem as normas dos próprios conselhos (CFFa e COFFITO). Numa clínica multidisciplinar, vale alinhar com a equipe quais campos são comuns e quais são restritos a cada área.
Prontuário e LGPD
A LGPD classifica dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis, com proteção reforçada. Para quem guarda prontuários, isso significa:
- Acesso controlado: cada profissional vê só o que precisa. Recepção não lê evolução clínica.
- Segurança técnica: criptografia, senhas individuais e registro de quem acessou o quê.
- Nada de prontuário em planilha compartilhada, e-mail pessoal ou grupo de WhatsApp.
- Plano para incidentes: perda de notebook, celular roubado, conta invadida. Com papel, o equivalente é o armário trancado.
Papel não é automaticamente mais seguro que o digital. Um prontuário eletrônico bem configurado costuma proteger melhor do que uma pasta na estante do consultório.
Checklist do prontuário
- Identificação, demanda e objetivos registrados no início do atendimento
- Evolução registrada a cada sessão, com data
- Encaminhamento ou encerramento documentado
- Resultados de testes em local de acesso exclusivo do psicólogo
- Cópia de todo documento emitido, com data, finalidade e destinatário
- Guarda por pelo menos 5 anos, em local sigiloso
- Em equipe: prontuário único, só com o necessário
- Acesso por perfil e senha individual
Como a Terapee ajuda
O prontuário eletrônico da Terapee foi feito para clínicas de terapia:
- Evolução a cada sessão, com o histórico completo do paciente em um só lugar.
- Criptografia das evoluções (AES-256) e acesso controlado por perfil: só o profissional responsável acessa o conteúdo clínico.
- Anexos: relatórios, exames e documentos emitidos ficam junto do prontuário.
- Funciona em qualquer dispositivo, sem papel para guardar nem armário para trancar.
Fontes
- Resolução CFP nº 001/2009 (registro documental e prontuário)
- Conselho Federal de Psicologia: dúvidas frequentes de orientação e ética
- Lei nº 13.709/2018 (LGPD)
Este conteúdo é informativo, foi revisado em outubro de 2026 e não substitui as orientações do seu Conselho Regional.


